Pouca
importância se dá ao uso do pensamento, que reflete o estado mental de cada
ser. Há pessoas inteiramente descuidadas no emprego de palavras, muitas das
quais evocam atos que não se distinguem pela boa higiene mental.
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Anedotas
picantes, de mau gosto, que tendem para a falta de decoro, são festejadas em
rodas ociosas ou em agrupamentos em que se procura fazer senso-de-humor.
Nesses
momentos, ninguém se lembra de que palavras e pensamentos ficam registrados no
éter, e que não vai ser agradável ao indivíduo constatar, mais tarde, que
expressões abjetas por ele pronunciadas ficaram gravadas e presas na esteira
vibratória da sua documentação astral, e, deste modo, conhecidas de seres,
diante dos quais seria, pelo respeito, incapaz de as proferir.
A
linguagem obscena é muito apreciada pelos espíritos do astral inferior (espíritos obsessores quedados na atmosfera da terra), e são
esses os que mais se regozijam com as anedotas e narrativas de cunho
animalesco. Agradar aos espíritos do astral inferior, é mantê-los em sua
companhia, permanentemente, e sofrer as influências deletérias e as mazelas que
eles transmitem.
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É
justamente pelo fato de a maioria das criaturas nada conhecer sobre questões
espirituais que o mundo está assim tão cheio de males, de desventuras, de
sofrimentos.
Os espíritos do astral inferior encontram campo aberto no seio da
humanidade, pela ignorância do que se passa nessa baixa região astral e das
influências deletérias a que todos podem estar sujeitos, desde que delas não se
saibam precaver.
A falta
de higiene mental nas almas encarnadas é um dos grandes atrativos dessas forças
inferiores que vivem em idêntico estado, dando expansão ao seu gosto grosseiro,
e todas elas estão unidas pela afinidade de sentimentos.
Logo,
ninguém dá bom atestado da sua higiene mental sendo descuidado, comprazendo-se
com conversas licenciosas e estimulando os demais a que se sirvam delas para
dar-lhes novo curso. Tal contribuição de maneira alguma poderá ser considerada
aprovável.
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A vida
exige compenetração, havendo muitas maneiras de se dar asas ao pensamento
bem-humorado, sem necessidade de se descambar pela ladeira escorregadia dos
assuntos escabrosos e de nenhuma objetividade construtiva.
Não é
só o caso de ter a pessoa que conter a sua natureza; é preciso educá-la,
convenientemente, para que se estabeleça o bom hábito de não acolher ideias e
pensamentos de ordem inferior. Daí por diante, ela não sentirá falta das
alusões menos dignas, quando quiser fomentar uma conversação.
As
pessoas precisam apurar os dons do espírito e, deste modo, valorizar-se perante
si mesmas e diante de seus semelhantes. Todos apreciam a elegância das maneiras
finas, nobres e espontâneas, por serem elas vazadas no mais rigoroso propósito
de manter-se uma boa higiene mental.
Os que
comumente se especializam em assuntos inconvenientes e de baixa significação
criam uma aura condizente que bem os individualiza, e se tornam centros de
atração das correntes congêneres, de tal modo nelas ficam emaranhados, que cada
vez maiores dificuldades encontram para sair desse enleamento.
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As pessoas
espiritualmente sadias sentem choques, impactos, com a simples aproximação de
um ente assim formado e, por mais que não queiram, a repulsa é inevitável.
Tanto a
higiene física como a mental, indispensáveis ao espírito fazem parte integrante
da sua evolução e contribuem para estabelecer um clima de sanidade moral
propício aos melhores vaticínios.
Os que
quiserem pautar a sua vida pelas normas espiritualistas não se devem descuidar
destes preceitos de higiene mental, porque só assim estarão, passo a passo,
atingindo o elevado objetivo da encarnação. Vejam se seria possível admitir um
Mestre desbocado!
Evidentemente não é preciso ir tão alto para focalizar o
exemplo, porque milhares de criaturas são incapazes de descer ao fraco gosto de
aplicar, nas conversações, palavras indecorosas.
A
educação do pensamento é uma necessidade, que não pode ficar à margem do
exercício da força de vontade. Ambas estas faculdades têm de constituir motivos
de constante preocupação, para que a boa higiene mental naqueles que não a
possuam se converta num hábito comum, de espontânea e livre manifestação.
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Pode
ser avaliado o estado pouco lisonjeiro da massa humana, no sentido espiritual,
por essa maneira imprópria e irreverente de empregar palavrões e termos que
escandalizam, pela sua conceituação anti-higiênica.
O
indivíduo que sabe conversar em linha de elevação moral, usando a riqueza de
vocabulário própria dos idiomas do mundo civilizado, expressando pensamentos
limpos, contribui para manter ou conservar um ambiente de respeito, de
dignidade e de consideração para com os interlocutores.
Muitos
podem pensar que a higiene mental não tem ligação com o espiritualismo. Esses
laboram em grande erro porque a falta de higiene é impureza, ao contrário do
caminho da espiritualidade, que é o da perfeição. Esta Verdade é intuitiva, não
exige comprovação, bastando que o indivíduo seja sincero consigo mesmo para
reconhecê-la à luz da evidência.
Em uma
Escola Espiritualista, como a instituída pelo Racionalismo Cristão, a higiene mental
faz parte dos predicados que precisam ser apurados para que o ser se
desenvolva, como convém, na medida do possível.
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Uma vez
que é ponto fundamental acelerar o processo de espiritualização da humanidade,
nenhuma brecha deve ser concedida ao escoamento dos esforços no bom sentido
adotado. Por isso, o cuidado com a higiene mental está incluído nos demais que
formam o conjunto saneador, capaz de conduzir a criatura à remodelação
procurada.
Quando
se dá combate a um mal, investe-se sobre o mesmo, por todos os lados, não se
lhe permitindo a menor oportunidade de êxito, para que os resultados sejam
satisfatórios.
O erro de não se dominar a falta de higiene mental precisa, por
isso, ser rigorosamente combatido e, por fim, aniquilado para haver coerência
no modo de se encararem os problemas que impeçam a evolução, em sua plenitude.
Em se
tratando dos pais, que precisam dar exemplos edificantes aos filhos, maior soma
de responsabilidade lhes cabe na má educação, transmitida, com desprezo, pela
higiene mental.
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As
reservas espirituais de cada ser não podem ficar maculadas com as impurezas dos
impropérios e as levianas narrativas de panoramas imorais de histórias que
turvem a mente e envileçam o pensamento.
Quando
se mentaliza a imagem moral de um espírito de luz, não passa pela cabeça de
ninguém fazer associações desse ente com pensamentos menos elevados e puros;
pois os que se espiritualizam marcham para esse estado de iluminação, com a
evolução normal, e desde já urge cuidar, com esmero, da sua higiene mental, como
parte completiva de uma prática que tem de ser exercida em todos os momentos,
para que se consume o ideal da superiorização dos dotes espirituais.
A Higiene Mental
Por Luiz de Souza
Fonte: Livro A Felicidade Existe
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